domingo, novembro 05, 2006

To: ouvintes da rádio universitária do minha

C.U.R.U.M. Comissão dos Utentes da Rádio Universitária do Minho Nota de Imprensa Pela primeira vez na história desta mítica rádio, após longos anos de puro serviço público e gestação cultural, a Comissão dos Utentes da Rádio Universitária do Minho vem por este meio exprimir a sua indignação face ao rumo que este órgão de comunicação vem a levar nos últimos anos. De facto, para poder aceder a programas míticos e de elevada qualidade os utentes desta rádio foram capazes de aguentar dezenas de vezes ao dia massacres auditivos como os desastres publicitários da Quinta da Malafaia ( com os seus milhões de pessoas a explodir de alegria ), os “tipos que acham que não são parvos” do MediaMarkt ou outros clássicos da autoria de algumas escola de condução e várias pizzarias. Qual é o bracarense, de idade entre os 16 e os 45 anos que não sabe recitar com segurança uma destas armas de destruição cognitiva ? Claro que tudo tem um preço, e durante anos este foi o preço que os utentes desta rádio tiveram de pagar para poder apreciar certas pérolas da difusão radiofónica como o já mítico “RoxoUrubu” ( programa humorístico, criado pela banda “Mini Drunfes” ) ou o “Laboratório”, da autoria de Rui Torrinha, que foi sem dúvida o melhor e mais completo programa musical dedicado à música electrónica de inspiração jazzística. Felizmente outros programas de qualidade e profissionalismo ainda se mantêm vivos, como o jovial “Janela Amarela”, o velhinho e eclético “Baile dos Bombeiros”, e os calorosos “Percepções”, “Som Poente” e “Noites Longas”, que tanto nos ajudaram a sonhar e a acomodar as nossas inquietações nas muitas noites em branco que assolam com frequência os utentes da RUM. Outros tantos e tantos nomes ficariam por dizer, mas certamente que alguns nomes como Abel Duarte, Elisabete Apresentação, Ivo Martins, Paulo Sousa, Rui Xavier e Sofia Saldanha fazem parte, certamente, dos nomes já muito familiares à audição desta comissão. Estes nomes são, aliás, tão familiares a esta comissão e às mesas de cafés por todos partilhadas, que se tornaram referências indispensáveis para o equilíbrio da própria vida. Mas o que leva, na realidade, esta comissão a emitir o seu primeiro comunicado ao fim de tantos anos, tem a ver, muito concretamente, com um nome em particular que integrou quase desde o início a construção da RUM. Esse nome é Sofia Saldanha. Sofia, essa mesma que abdicou de uma identidade física para se tornar “a voz”, apenas. De facto, para muitos ela é simplesmente “a voz”, a mais quente, a mais sensual, a mais radiofónica, a mais nobre, a mais completa. “A voz” que se tornou ópio de milhares de ouvidos, fazendo seus proprietários fantasiar com a mulher de cuja boca brotam essas frequências paralisantes, de sublime sensualidade. Pois bem. Após meses de pressões psicológicas e propostas de despedimento por parte da administração da RUM, “a voz” foi suspensa pela administração da rádio, sem qualquer justificação coerente, tanto quanto esta comissão pode apurar. Suspenso também foi o “Agora Aconteceu”, última criação d”a voz”, cujo formato caminhava lentamente para um estatuto sólido de “essencial”. Infelizmente até mesmo este programa vinha a ser ignorado pela própria administração que nunca sequer o chegou a referir na própria webpage, apesar de existir mesmo um blog anexo ao programa actualizado diariamente. Mas não é para expor detalhes sobre os problemas internos e guerrinhas infantis entre administradores e administrados que esta comissão levanta hoje a sua voz. Esta comissão quer deixar bem claro que está farta de olhar em sua volta e observar que “algo” ou “alguém” pode tratar tudo como se de uma empresa se tratasse. Já chega de erros estratégicos, despedimentos “necessários” e castrações culturais. Basta de fenómenos “Rivoli” e “CPF”. Basta de administradores que não conseguem ultrapassar a barreira da gestão de capital. Basta de mesquinhez ! Basta de compadrio ! Basta de prepotência e de tantos outros fenómenos que lentamente estão a tornar Portugal numa empresa, ainda para mais mal gerida ! Dada a sua proximidade relacional, esta comissão conhece bem os atritos entre administração e a sua próxima vítima, Sofia Saldanha. Esta comissão, sem expor os factos internos à rádio, quer deixar bem claro que reprova a atitude da administração da RUM, e que não irá permitir que esta extinga uma dais mais importantes vozes espectro radiofónico nacional, que ainda para mais depende deste nicho cultural que a RUM sempre soube ser. Esta comissão quer relembrar a administração da RUM, propriedade da Associação Académica da Universidade do Minho, parte integrante da própria UNIVERSIDADE DO MINHO, que não existem quaisquer justificações económicas ou disciplinares que justifiquem a expulsão de um dos seus pilares, ainda para mais ao fim de tantos anos de verdadeira dádiva de talento. Esta comissão quer relembrar a administração da RUM que não é saudável “dar tiros no pé”, por muito incómodo que o pé possa ser. Esta comissão quer também relembrar a administração da RUM, que apesar das suas tentativas para tornar a sua rádio uma empresa eficiente, o resultado aparente é uma rádio que cada vez mais se afasta daquele projecto independente, irreverente e inovador, capaz de proporcionar verdadeiro serviço público num “nicho de mercado” infelizmente raro ou mesmo praticamente inexistente. Esta comissão quer lembrar que esta rádio só existe porque tem ouvintes, e os seus ouvintes QUEREM CONTINUAR A OUVIR A VOZ DE SOFIA SALDANHA. Por isso, se a actual administração resolver suspender “a voz”, esta comissão está disposta a suspender a audição da mesma.

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